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Para quem não quer (ou não pode) gastar uma pequena fortuna em equipamento fotográfico, comprar uma câmara usada pode ser uma excelente opção. Claro que, como em qualquer mercado de produtos usados, há sempre uma certa dose de risco, que costuma ser proporcional às oportunidades para fazer bons negócios. Comprar em segunda mão tem sempre alguma ciência e há aspetos a que tem de estar muito atento. Neste guia encontrará orientações claras sobre o que é mais importante ter em consideração, bem como alertas sobre pontos que não pode descurar.

Quem acompanha o mercado tecnológico sabe que os modelos de câmaras atuais são atualizados a uma velocidade alucinante, mesmo quando se tratar das gamas ditas semiprofissionais e até profissionais. Pode parecer desencorajador, mas a verdade é que sempre que um novo modelo é lançado, chegam ao mercado de usados excelentes oportunidades para quem quer ter uma boa câmara, mas gastar pouco.



Uma câmara topo de gama que ainda ontem era fantástica passa (para alguns) a ser obsoleta, mas a verdade é que não perdeu as suas capacidades ou potencial, continuando a ser uma excelente câmara, por muito tempo, desde que esteja perfeitamente operacional. Optar por esta solução pode fazer toda a diferença: ao invés de comprar uma câmara de gama de entrada ou média, com um investimento semelhante pode ter uma câmara de topo, que lhe permite explorar com à-vontade e segurança a fotografia profissional.

Da mesma forma, se a sua câmara já está a precisar de reforma, este pode ser o melhor caminho para a atualizar sem ir à falência.

Neste artigo vamos centra-nos apenas na compra de câmaras reflex. Abordaremos os seguintes pontos:

1. Número de disparos

2. Inspeção interior

3. Inspeção geral

4. Onde comprar

5. Contacto com o vendedor

6.  Conclusão

Comprar uma câmara usada

Se pondera a compra de equipamento em segunda mão, antes de mais tenha em mente que nem todos estimam o seu equipamento convenientemente (por muito caro que tenha sido), por isso há vários aspetos e considerações a que estar atento na hora da escolha.

Este guia vai ajudá-lo a obter o melhor possível pelo dinheiro que gasta. Poderá adquirir ou atualizar o seu equipamento por uma fração do seu preço original, sem descurar na qualidade.

Lembre-se que uma câmara digital é um mecanismo complexo. Não basta avaliar o exterior; terá de se certificar que tudo funciona corretamente. Estes são os pontos mais críticos que não pode deixar escapar:

1. Número de Disparos

O número de disparos numa câmara indica o número de vezes que o obturador foi acionado, ou o número de fotos que a câmara já registou. Este valor pode dar-nos uma clara indicação do tipo de utilização de uma câmara.

Por norma, quanto mais alta a gama de uma câmara, maior tende a ser a durabilidade do obturador, com as gamas profissionais a oferecer o melhor desempenho a este nível. O tempo de vida típico de modelos de entrada de gama pode rondar os 150 mil disparos e as gamas profissionais costumam chegar aos 300 mil ou mais. Claro que estes valores são meramente indicativos; por vezes (embora seja raro) o obturador não aguenta o número de disparos estimado, mas na maioria das vezes ultrapassa-o largamente, chegando a durar mais do dobro. Pode ser uma questão de sorte, mas na hora de comprar usado, jogue pelo seguro e considere os valores médios.

O obturador é um elemento mecânico, composto por cortinas que abrem e fecham para deixar entrar a luz para o sensor da câmara e assim registar a imagem. Com tanto abrir e fechar, o mecanismo vai-se desgastando.

Tenha em consideração que o valor da substituição de um obturador tende a não ficar muito longe do valor do corpo da câmara, sobretudo se já for usada, por isso é crucial estar muito atento a este aspeto.


Nunca compraria um carro sem saber o número de km, certo? É basicamente a mesma coisa.

Um número de disparos baixo indica que a câmara teve pouco uso. Valores abaixo dos 10 mil disparos poderão ser considerados muito baixos para câmaras com 2 a 4 anos. Neste caso, uma utilização normal poderá rondar os 35 a 55 mil disparos. Optar por uma câmara com um número de disparos na ordem dos 100 a 120 mil disparos, pode não ser o melhor negócio. Esses valores indicam um nível de utilização alto, provavelmente por um profissional e, por conseguinte, maior desgaste e probabilidade de problemas. Não é obrigatoriamente assim, mas o risco é maior.

Já uma câmara com menos disparos, pode indicar uma utilização mais casual, por parte de um amador, por exemplo, e poderá ter sido mais “poupada”. Á partida, será uma compra mais segura.

Se procurar uma câmara usada online, facilmente poderá comprovar que nem todos os anunciantes divulgam o número de disparos. Pode haver várias razões para tal:

· O vendedor não sabe a importância dessa informação

· O vendedor não sabe como descobrir essa informação

· O vendedor não quer partilhar essa informação porque isso não ajuda na venda

É relativamente a este último ponto que deve estar atento, pois a probabilidade de a câmara já estar perto ou ter ultrapassado o número de disparos médio e você acabar com um problema nas mãos é grande.

Nunca avance com um negócio sem saber esta informação. Se a informação não está disponível no anúncio, contacte diretamente o vendedor e pergunte. Se o vendedor se recusar a dar a informação, não considere o negócio; procure outro.

Como saber o número de disparos de uma câmara?

Nem sempre essa informação está disponível na própria câmara, mas há ferramentas online, como https://www.camerashuttercount.com/, que podem ajudar. Basta fazer o upload da última foto registada.

Há ainda softwares para esse fim, como o Canon EOS DIGITAL Info.

Em alternativa, qualquer loja especializada em fotografia deverá ter software capaz de extrair essa informação de qualquer câmara.

Para sua própria referência, procure saber o tempo de vida estimado do obturador do modelo que pretende comprar. Deverá encontrar a informação nas especificações técnicas da câmara no site do fabricante. Caso não estejam disponíveis, contacte diretamente o fabricante e pergunte. Uma rápida pesquisa no Google também lhe permitirá saber.


Legenda: Quaisquer vestígios de oleosidade ou gordura no interior da câmara são indicativos de mau funcionamento

2. Inspeção interior

Quando se trata de comprar uma câmara usada, é importante fazer uma inspeção completa ao equipamento para perceber se está em boas condições. Não basta o aspeto exterior; há que retirar a tampa do corpo e inspecionar o interior. Verifique o espelho, o ecrã de focagem e os contactos ou encaixe das objetivas. Quaisquer indícios de danos, óleo ou sujidade no interior da câmara devem ser motivo para não avançar com o negócio.

Se a compra for feita online, pode ser mais difícil analisar minuciosamente o interior da câmara. Ainda assim, peça ao vendedor para lhe enviar fotos de pormenor destes elementos. 

No caso de compras presenciais, leve uma pequena lanterna e faça as verificações você mesmo.


Legenda: Mesmo em câmaras usadas, o interior deve estar limpo e seco, sem manchas.

Se for possível, teste também a câmara com uma objetiva. Não só poderá avaliar melhor os encaixes/contactos como poderá fazer uma foto de verificação.

Se pretende fazer a compra online, é de boa prática pedir uma foto de teste do estado do sensor (em RAW, sem qualquer processamento).

 

Legenda: É aceitável que haja alguns pequenos pontos de poeira. Já riscos e pontos luminosos (sem informação) indicam que o sensor da câmara está em mau estado.

Como verificar o estado do sensor?

Defina a abertura máxima (f/22, por exemplo), aponte para uma área luminosa e lisa (o céu azul é uma boa opção) e capte uma foto. Reveja a foto no LCD com o zoom no máximo, ou se possível num computador, e percorra-a por completo em busca de pequenos pontos e riscos.

Os pequenos pontos de poeira não são muito problemáticos. Poderá fazer você mesmo a limpeza do sensor com produtos adequados.

Faremos posteriormente um artigo passo-a-passo sobre este tema.

Já qualquer evidência de linhas pode representar riscos e danos no sensor, e são indicadores claros de que deve abandonar o negócio e partir para outra.


3. Inspeção geral

Com a inspeção do interior feita, é também importante verificar o estado geral exterior do equipamento. Procure por riscos e amolgadelas que possam denunciar qualquer queda ou mau uso do equipamento.

Tratando-se de uma câmara em segunda mão, não é de esperar que esteja nova em folha, sem qualquer marca de uso.

Alguns elementos de borracha, por exemplo, podem exibir algum desgaste ou estar um pouco descolados, mas é possível repara-los ou substitui-los com alguma facilidade, sem grandes custos.

Já quaisquer arranhões profundos ou amolgadelas podem sugerir alguma queda aparatosa e, por consequência, danos internos. É melhor não correr o risco.

Tenha também o cuidado de verificar o corpo sem quaisquer filtros ou proteções, incluindo de ecrã. 


Legenda: É expectável que haja algumas marcas de uso numa câmara usada, mas esteja atento a elementos amolgados ou arranhões profundos
 
Mais uma vez, se vai fazer a compra online, peça fotos de detalhe de todos os aspetos referidos, incluindo as várias vistas da câmara.

Muito importante também é que os anúncios exibam imagens reais da câmara especifica que está para venda. Caso o vendedor tenha apenas fotos genéricas, como as fornecidas pela marca (são fáceis de identificar), deverá pedir que lhe sejam enviadas fotos da câmara em si. Qualquer recusa em fazê-lo é indicador de que deve ficar longe desse negócio e procurar outro.

4. Onde comprar?

Eis a grande questão! O mercado de usados acarreta sempre alguns riscos, mas estes podem ser maiores ou menores. A equação é simples: quanto menor o risco, maior o preço e vice-versa.

O recomendável será pois, encontrar o melhor compromisso. Aqui ficam algumas sugestões e respetivos alertas:

· Lojas físicas e revendedores

Muitos revendedores especializados em tecnologia, oferecem equipamento usado para venda, seja em loja física seja online.  

A Fnac, por exemplo, tem uma secção de Usados, embora nem sempre se encontrem modelos de reflex de gamas altas.

O mesmo acontece com a CeX, dedicada ao comércio de compra e venda de usados, que, para além da loja online, tem várias lojas físicas em Portugal.


É muito provável que haja até lojas de usados na sua cidade que se dediquem a esta área, incluindo alguma especializada em equipamento profissional. A vantagem de comprar nestas retalhistas é que para além de os equipamentos serem previamente verificados por técnicos, muitos oferecem garantia, tipicamente de entre 3 meses, chegando até aos 2 anos em alguns casos.

É possível que não consiga o preço mais baixo do mercado, mas terá maior segurança. Você decidirá se está disposto a pagar mais por esse descanso.

· eBay, Amazon e vendedores particulares

As grandes oportunidades, costumam estar aqui: nos vendedores particulares. Se pretende uma verdadeira pechincha, então invista o seu tempo a procurar aqui. Mas tenha sempre presentes os pontos essenciais deste guia.

Neste tipo de venda, qualquer distração pode acarretar problemas. Esteja sempre alerta. Há duas situações de que deve fugir a sete pés:

a) o negócio parece bom de mais para ser verdade

b) o vendedor só aceite pagamento em dinheiro ou por transferência.

Opte sempre por fazer o pagamento por PayPal ou sistema alternativo semelhante que lhe ofereça segurança e proteção. 



Claro que os vendedores particulares não lhe vão oferecer uma garantia, mas se o produto que receber não estiver de acordo com o que comprou, ou se vier com algum problema ou dano, pelo menos pode fazer uma reclamação e pedir a devolução do seu dinheiro. Com PayPal tem até 180 dias para apresentar uma reclamação, desde que a compra esteja protegida pela Proteção do Comprador PayPal.


Por muito bom que lhe pareça algum negócio que encontre online, não facilite, opte sempre por comprar em plataformas fiáveis que ofereçam garantia de devolução do seu dinheiro.

Na Amazon, por exemplo, tem 30 dias para devolver qualquer produto, novo ou usado, se o mesmo não corresponder às suas expectativas. É uma garantia pela qual vale a pena pagar um pouco mais. Ninguém quer receber em casa a tão esperada câmara “nova” para em seguida descobrir que está cheia de humidade, riscos no sensor ou tem o ecrã partido. E se o vendedor não estiver disposto a devolver o seu dinheiro?

O eBay também oferece proteção aos compradores, intervindo e devolvendo o seu dinheiro quando algo não corre como o esperado.

5. Contacto com o vendedor

Não deixe espaço para dúvidas. Dado o valor envolvido na compra de uma câmara reflex, só deve avançar quando sentir total confiança na sua compra.

Se tem alguma dúvida, se algum pormenor lhe parece dúbio, se precisa de mais fotos do equipamento, mais informações sobre o seu estado e funcionamento, sobre a sua utilização anterior, não se acanhe: pergunte!

Entre em contacto com o vendedor, coloque todas as suas questões e não avance sem estar completamente esclarecido. Não receie ser “chato” ou incomodar; a sua função como comprador é obter o melhor produto, pelo menor valor, e não propriamente ser “amigo” do vendedor. Importante é que faça uma compra informada e sobretudo a escolha acertada.

 

6. Conclusão

Comprar equipamento usado dá um pouco mais de trabalho do que dirigir-se a uma loja com uma ideia do que quer, comprar (e pagar o devido valor) e trazer consigo uma câmara novinha em folha.

Tem de investir o seu tempo em busca de um bom negócio, avaliar cuidadosamente o equipamento que pondera comprar, verificar possíveis danos e problemas e correr sempre uma certa dose de risco. Mas se seguir à risca este guia, as probabilidades de algo correr mal são muito reduzidas. E por uma fração do valor original, pode ficar com uma excelente câmara para explorar a fotografia profissional e dar um novo impulso ao seu negócio.

Quiçá não ficará com margem para investir em algum equipamento extra, como mais uma boa objetiva.

Siga também o nosso Guia para Comprar Objetivas Usadas.

Se é comprador habitual de equipamento usado, convido-o a partilhar nos comentários a sua experiência e a deixar outras dicas e considerações que considere importantes.


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